FORRÓ AS MATRIZES TRADICIONAIS DO FORRÓ ESTÃO SOB ESTUDO DO IPHAN PARA UM POSSÍVEL RECONHECIMENTO DO BEM COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL E A OMBBAHIA APOIA.

FORRÓ AS MATRIZES TRADICIONAIS DO FORRÓ ESTÃO SOB ESTUDO DO IPHAN PARA UM POSSÍVEL RECONHECIMENTO DO BEM COMO PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL E A OMBBAHIA APOIA.

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Ao contrário do que muita gente pensa, o forró vai muito além do que um simples gênero musical. Genuinamente nordestino, o universo forrozeiro se estende em dimensões melódicas, rít- micas, harmônicas, coreográfi- cas e artesanais. Hoje, as Ma- trizes Tradicionais do Forró são objetos de estudo do Instituto do Patrimônio Histórico e Ar- tístico Nacional (Iphan) para um possível reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial.

A história começou quando, em setembro de 2011, a As- sociação Cultural Balaio do Nor- deste (ABCN) protocolou no Iphan um pedido de registro do bem. Depois de passar por uma avaliação interna na instância técnica do instituto, o pedido foi considerado pertinente e, as- sim, deu-se início ao processo de estudo do universo do forró.

A pesquisa, que se esten- derá até meados de 2020, é o primeiro passo para o reconhe- cimento do bem como patri- mônio. Nela, são estudadas onde o forró surgiu, onde ocor- re e sua abrangência, levando em conta todas as dimensões dessa manifestação cultural com um recorte nos estados nordestinos, somados ao Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal.

Como produto desse estudo, será apresentado o dossiê de registro, que, por sua vez, pas- sará por uma análise do Con- selho Consultivo do Patrimônio Cultural. É aí que será decidido se as Matrizes Tradicionais do Forró serão ou não reconhecidas como Patrimônio Imaterial.

“O registro é importante porque um bem é um elemen- to de compreensão da iden- tidade da própria população, se torna parte do ser brasilei- ro”, reflete Deyvesson Gus- mão, coordenador-geral de identificação e registro do De- partamento de Patrimônio Imaterial (DPI), do Iphan.

Ao ser reconhecido como pa- trimônio, o bem passa a in- tegrar um dos quatro livros de registro: de saberes, de cele- brações, de formas de expres- sões, de lugares. Mas o pro- cesso não para por aí, seguin- do para a criação de políticas públicas para a preservação do já então patrimônio.

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“O registro gera consequên- cias porque não adianta ape- nas dar o título. Gera obriga- ções para o Estado – constru- ção, junto à sociedade, de um plano de ações de salvaguar- da, para o fortalecimento des- se bem”, explica Gusmão.

Defesa baiana

Desde que a pesquisa foi con- solidada, encontros, fóruns, seminários e audiências são

promovidos para difundir a dis- cussão do processo de reco- nhecimento do forró em diver- sos estados brasileiros, como Pernambuco, Paraíba, Distrito Federal e Salvador.

Aqui, a defesa da patrimo- nialização do forró ganha força a partir da atuação de diversos grupos, da união de artistas e do envolvimento de institui- ções, a exemplo da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), ope-

rando também em nível na- cional, e o Instituto Maracatu Bizoro Avoador.

“A gente precisa que as pes- soas se unam, se agrupem, porque, quando a sociedade se levanta de forma organizada, ela vai ter o poder de gerir também o país”, avalia Roza- nia Macêdo, diretora do ins- tituto. “A gente, enquanto so- ciedade civil, faz a força em prol da defesa”, diz.

Envolvida desde 2016 com a causa, a diretora levou a dis- cussão para a prefeitura de Sal- vador, o governo do estado e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). Além disso, possui listas com 123 no- mes de deputados e senadores, colhidos em suas idas a Brasília, para ampliar o movimento.

“Essa é uma defesa apar- tidária, que não tem dono, e as autoridades, de todas as es- feras do poder, têm que en- tender a importância da pa- trimonialização”, afirma.

Junto a Rozania, Guilherme Akira, presidente da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), adquire o apoio de diversos forrozeiros, sanfoneiros, qua- drilhas e dançarinos, e vê no registro do bem uma forma de reconhecimento desses artis- tas. “Há um descaso muito grande com os músicos no Bra- sil hoje. O registro vai dar a eles um respaldo muito grande, causando um impacto em nível nacional”, avalia Akira.

“E tem todo o impacto eco- nômico, porque o forró é toda

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uma cultura que gera emprego e aquece o turismo”, acrescen- ta Pedro Anbesou, advogado da OMB-BA.

Otimista, o grupo já pensa nos desdobramentos das po- líticas públicas após o reconhe- cimento das Matrizes Tradicio- nais do Forró como patrimônio e anseia a construção de um Forródromo, como existe o Sambódromo. “A defesa não acaba com o registro, se não seria apenas um dossiê de pra- teleira”, ressalta Rozania.

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